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sábado, 19 de novembro de 2011

Mais alguns passos para a era pós-PC


Depois de apresentar o iPad ao público, foi assim que Steve Jobs nomeou o futuro da nossa tecnologia: a era pós-PC. Apesar de muitos lerem isso e já ficarem furiosos para defender a plataforma que usam, eu explico: não se trata de qual máquina você tem em mãos, mas sim como ela poderá ser usada daqui pra frente.
“Quem precisa de um computador em casa?” Essa foi a suposta reação da IBM ao ver uma proposta de computadores pequenos e pessoais. As máquinas eram assim, na combinação entre códigos e circuitos para aqueles (poucos) que conseguiam usá-las. Foi nesse momento da história da tecnologia, em 1984, que o primeiro Macintosh apresentou sua interface gráfica — subtituindo as muitas linhas de comando por ícones, pastas e seus demais elementos visuais — somada ao grande facilitador, o mouse. Enquanto você está lendo esse post, agradeça a esse momento com muito carinho! :-)
Quase três décadas depois disso…
Há algumas semanas, a Apple liberou em seu site uma página intitulada “A celebration of Steve’s life” — em português, “Uma celebração da vida de Steve” — com o vídeo oficial da grande homenagem feita ao eterno CEO da Apple no campus da empresa, em Cupertino. Entre muitas partes comoventes, o trecho que quero citar fez parte do discurso de Al Gore sobre a relação entre humanos, máquinas e, é claro, a influência de Jobs nessa combinação.
O político estadounidense comentou sobre como pessoas afirmaram amar os produtos da Apple nas mensagens enviadas para o memorial. E, como ele mesmo apontou, relacionar um sentimento humano (principalmente o sentimento de amar) com tecnologia é um assunto um pouco delicado. A ficção científica que conhecemos está repleta de histórias que colocam as máquinas como vilões frios, 100% racionais e prestes a dominar o mundo; Entretanto, poucas vezes elas são retratadas com algum tipo de emoção ou ligação humana.
Ainda no discurso, Al Gore citou uma conversa com o quase recém-nascido Siri. A pergunta foi “Siri, você me ama?” e a resposta… “Eu respeito você.” — Hehe!
Essa breve conversa ilustra bem a ideia que quero passar aqui. Siri, o assistente pessoal do iOS, é a mais recente tentativa — e talvez a maior até o momento — de humanizar uma máquina. E isso não significa simular sentimentos, como num imaginário do passado, e sim aproximar cada vez mais as máquinas de seus usuários. Se até pouco tempo esses comandos por voz eram frios e diretos, Siri pode ser um primeiro passo para um tipo de interação maior que qualquer tecnologia que já conhecemos.
[Créditos da imagem ao lado: Bruno Carvalho]

Uma das recomendações que a Apple dá aos desenvolvedores é que seus apps não tenham “cara de computador” e até o gerenciamento de arquivos no novo Mac OS sofreu mudançaspara ficar mais simples. Como consequência desses e de outros fatores, vemos idosos (que sempre disseram não gostar de computador) com iPads em mãos, navegando, jogando e consumindo conteúdo como loucos. Vemos até gatos interagindo com interfaces digitais! Apesar de o nosso querido mouse ter sido uma das maiores bençãos tecnológicas (e ainda ser importantíssimo), só agora aprendemos que nem tudo se resume ao clique.

Por falar em clique, lembram quando dei minha opinião sobre o uso do Flash?
“A ideia não é ser anti-Flash, escolher um lado e partir para o ataque, mas sim dar uns puxões de orelha aqui ou ali para que, de alguma forma, ele ganhe melhorias. […] o Flash não está ameaçado por culpa do iPhone, nem da Apple, nem da Microsoft, […] tampouco por culpa de posts como este. Ele está ameaçado porque cavou sua própria cova quando não soube se atualizar e acompanhar a web, enquanto outras tecnologias e profissionais o fizeram. Será que a resposta da Adobe vai continuar literalmente no papel?” — Para o post completo sobre a minha opinião, confira “Preparem suas pedras, vim falar sobre o Flash”.
Já sabemos a resposta oficial da Adobe. Em vez de trabalhar nessa adaptação (e melhoria) de seu produto, o Flash Player foi descontinuado para o mundo mobile. Quando máquinas evoluem numa velocidade tão insana como a que estamos acompanhando, hardware e software que fazem parte da brincadeira não podem ficar parados e precisam acompanhar os passos rápidos.

“Quem precisa de um computador em casa?”
Hoje não só precisamos como temos eles por todas as partes: em casa, na mesa, na mochila, no bolso e, é claro, nas mãos. Não é só o mouse e o teclado que temos à disposição, mas também podemos arrastar, subir, descer e girar com os dedos. Usabilidade e acessibilidade nunca tiveram uma importância tão grande como agora e isso só tem a acrescentar na nossa experiência, como usuários.
Antes, num tempo nem tão distante, computador era aquela coisa que tinha no trabalho, que exigia cursos, que irritava constantemente, que ocupava espaço, que precisava ser reiniciado várias vezes ao dia, e até que precisava de uns tapas pra funcionar — e é essa a imagem que vejo mudar a cada dia. Máquinas não devem mais causar frustração e infelizmente muitos fabricantes e desenvolvedores ainda não perceberam isso.
Siri está em sua fase beta e já virou amigo(a) de tantos… Para onde vai caminhar essa conversa entre hardware, software e pessoas? A era PC (vendo por essa perspectiva) durou quase três décadas. Todavia, penso que essa transição para uma “nova era” não levará tanto tempo para se espalhar em nosso cotidiano. Só espero que o/a tal assistente pessoal não se volte contra nós e tente dominar o mundo como sugere a ficção! :-P


Fonte: globo.com

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